Esdras Marchezan
Da Redação
Uma luz no fim do túnel. É o que empresários mossoroenses da construção civil afirmam ter encontrado na batalha pela viabilidade econômica do aeroporto Dix-sept Rosado, sem voos comerciais em atividade desde maio de 2005. A proposta da compra do terreno onde está situado o aeroporto, por parte dos empresários, e da transferência do aeroporto para outra área da cidade começa a ganhar corpo entre os poderes públicos envolvidos. A Prefeitura Municipal já entrou em contato com o empresariado para debater o assunto em uma audiência.
Com uma área de cerca de 100 hectares, o terreno onde está implantado o aeroporto é avaliado pelo empresariado da construção civil entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões. Mas, para o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) - órgão responsável pela administração do aeroporto -, esse valor não chega nem perto da quantia real que o terreno merece. "Se isso fosse acontecer mesmo, não seria por um valor desses (R$ 30 milhões), mas muito mais do que isso. Porém, a situação é um pouco complexa, já que o terreno pertence à União", disse o diretor do DER em Mossoró, Francisco Motta.
A localização de mais de 200 casas ao redor da área é o principal entrave do projeto de ampliação do aeroporto e atração de voos comerciais, com aeronaves de grande porte, para a cidade. Esse problema tem afetado também o crescimento urbanístico mossoroense, afirmam os empresários da construção civil.
"Nossa proposta é tão simples que assusta. Se o aeroporto está localizado em uma área que torna inviável sua expansão por causa das residências que existem ao seu redor, estamos interessados em comprar o terreno, para usá-lo nos projetos que temos na área da construção civil para Mossoró. Com o dinheiro do terreno, os poderes públicos poderiam construir o aeroporto em outra área, dessa vez, adequada para receber voos comerciais e aeronaves de grande porte", comenta o empresário Jorge do Rosário, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON) e um dos criadores da proposta.
Pelo menos mais seis empresários fazem parte do "pelotão" que está dando seguimento a essa ideia e pretende levar adiante o projeto. A intenção é aumentar esse número e atrair o interesse dos poderes públicos para estudar a viabilidade prática do projeto. "Lançamos a proposta e agora estamos esperando a resposta da Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal. Nossa única intenção é contribuir com o crescimento da cidade", disse Jorge do Rosário.
Na Gerência Municipal de Turismo, Indústria e Comércio, a ideia é vista com entusiasmo, mas também com precaução. "Embora a ideia seja boa e pareça viável, existem muitas outras coisas que devem ser discutidas nesse assunto. Mas, o primeiro passo é a discussão do projeto com todos os órgãos envolvidos", comentou o gerente da pasta, Sílvio Mendes Júnior.
‘Com esse dinheiro daria para construir outro aeroporto’
O valor atribuído ao terreno onde está implantado o aeroporto Dix-sept Rosado pelos empresários da construção civil (R$ 30 milhões) daria para garantir a realização de uma nova estrutura capaz de abrigar voos comerciais de grandes companhias aéreas, afirma o presidente do Sinduscon/Mossoró, Jorge do Rosário. "O cerne desse projeto é comprar o terreno e dotar o poder público de um valor que torna possível a construção de um novo aeroporto", disse.
As palavras dele se baseiam no exemplo próximo da cidade de Aracati (CE), onde um aeroporto com voos internacionais está sendo construído com recursos da ordem de cerca de R$ 20 milhões. "Sem contar que a Prefeitura e o Governo podem buscar parcerias com o Governo Federal", comenta Jorge do Rosário.
Parceria é a palavra chave para o sucesso do projeto, conforme o gerente municipal de Turismo, Indústria e Comércio, Sílvio Mendes Júnior. "É muito importante que haja parcerias entre os poderes público e privado para o crescimento regional. Com apoio dos Governos Federal e Estadual, pode ser possível essa ideia", disse o gerente.
Fonte: De Fato