Mostrando postagens com marcador economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador economia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Brasileiros estão entre os mais dispostos a gastar em supérfluos em 2010

Os consumidores brasileiros e os asiáticos são os mais dispostos a retomar neste ano gastos em despesas que não são tidas como essenciais, como reformas da casa, artigos tecnológicos e férias.

Esta é uma das conclusões de uma pesquisa da consultoria Nielsen, que entrevistou em dezembro do ano passado 17.500 usuários de internet em 29 países para saber sobre sua confiança na economia, suas principais preocupações e seus hábitos de consumo.

A pesquisa coloca o Brasil no terceiro lugar do ranking de otimismo em relação à recuperação econômica.

De acordo com o estudo, o índice de confiança dos brasileiros é de 110, em uma escala de 0 a 200. Apenas Índia e Indonésia estão à frente do Brasil. Há seis meses, o índice brasileiro era de 96, colocando o país na quarta posição.

No Brasil, 49% dos entrevistados consideram que 2010 será um bom ou um excelente momento para voltar a gastar em artigos supérfluos e 38% acreditam que o ano "não será tão bom".

A confiança dos brasileiros contrasta com a de outros países latino-americanos. Apenas 33% dos argentinos e 29% dos mexicanos pensam da mesma forma. Nos Estados Unidos, 31% dos ouvidos se disseram dispostos a investir em artigos supérfluos.

Segundo a pesquisa da Nielsen, 39% dos brasileiros planejam gastar dinheiro em férias, 43% em artigos tecnológicos e 40% em reformas em suas residências.

Apenas 11% dos entrevistados dizem não ter nenhum dinheiro sobrando para gastar com itens que não são essenciais.

O índice de confiança dos consumidores ao redor do mundo subiu de 82 para 87 entre junho e dezembro de 2009.

"A pesquisa da Nielsen mostra que nos últimos seis meses, os consumidores se tornaram mais confiantes na retomada de crescimento econômico de seus países", disse James Russo, vice-presidente da consultoria.

Russo explicou que a expectativa de recuperação econômica é maior nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos.

Mais de 90% dos americanos e dos britânicos ouvidos consideram que seus países continuam em recessão, enquanto 83% dos chineses e 60% dos cingapurenses dizem que suas economias já está crescendo novamente.

No Brasil, apenas 32% dos ouvidos acreditam que o país permanece em recessão, enquanto na Argentina e no México esse percentual chega a 69% e a 92%, respectivamente. No primeiro trimestre de 2009, 69% dos brasileiros viam o país em crise.

Os asiáticos, assim como os latino-americanos, são os consumidores com o índice de confiança na economia mais alto. Os europeus seguem sendo os mais pessimistas.

Na lista dos dez primeiros colocados no ranking de otimismo, seis países são da Ásia e dois da Oceania. Brasil e Canadá completam o grupo.

Hong Kong foi o país que teve maior crescimento em seu índice de confiança: foram 21 pontos de elevação. Com isso, o país saltou para a sétima posição.

Na outra ponta da tabela, o país em que o pessimismo mais cresceu foi o Emirados Árabes Unidos em decorrência da crise financeira de Dubai no final do ano.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Índice Geral de Preços abre o ano com alta de 0,2%

Thaís Leitão
Agência Brasil


Rio de Janeiro - O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) abriu o ano em elevação de 0,2%. O resultado de janeiro supera o do mês anterior, quando houve deflação de 0,07%. No ano acumulado de 12 meses encerrados em janeiro, o IGP-10 tem queda de 0,64%. Os dados divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que o movimento de elevação foi observado nos três índices que compõem a taxa global.

O Índice de Preços por Atacado (IPA) passou de –0,25% em dezembro para 0,07% em janeiro. As principais pressões partiram de alimentos processados (de –0,90% para 1,18%); materiais e componentes para a manufatura (de –0,25% para 0,47%). Por outro lado, no âmbito das matérias-primas brutas (de –0,22% para –0,46%) houve redução nas taxas da laranja (de 16,34% para –2,37%), soja em grão (de –0,86% para –3,50%) e milho em grão (de –0,29% para –3,71%).

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou aumento de 0,52% em janeiro, mais intenso do que a elevação do mês anterior, quando a taxa apurada foi de 0,28%. Contribuíram para a alta os grupos transportes (de 0,22% para 1,04%); alimentação (de 0,36% para 0,77%), saúde e cuidados pessoais (de 0,04% para 0,25%) e educação, leitura e recreação (de 0,34% para 0,52%). Em movimento oposto, houve redução em habitação (de 0,24% para 0,18%) e vestuário (de 0,81% para 0,79%). Já em despesas diversas, a FGV apurou a mesma taxa de um mês antes: 0,17%.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também subiu de um mês para outro, tendo passado de 0,25% para 0,30%. Ficaram mais caros os materiais e equipamentos (de 0,20% para 0,23%), o custo da mão de obra (de 0,25% para 0,29%) e os serviços (de 0,43% para 0,58%).

Para calcular o IGP-10, a FGV coletou os preços no período de 11 de dezembro a 10 de janeiro.

Especialista recomenda cautela ao lidar com as liquidações de início de ano

Nas vitrines das lojas, as chamadas para as promoções são tentadoras: descontos de 20, 50 e até 70%; compre agora e comece a pagar só em abril; divida tudo em até 15 meses... De fato, os descontos e facilidades de pagamento anunciados pelas liquidações, típicas do mês de janeiro, são sedutores e, muitas vezes, irresistíveis, até mesmo para o consumidor mais consciente.

Todavia, antes de ir às compras e se render às vantagens apresentadas pelas liquidações é preciso ter cautela. O economista Leonildo Tchapas recomenda que o consumidor controle a emoção e avalie se realmente poderá pagar pelo produto, mesmo estando em promoção, a fim de evitar dores de cabeça futuras.

O especialista sugere ao consumidor que antes de comprar os produtos em liquidação motivado pelos grandes descontos e longos prazos, é importante fazer a conta e saber quanto tem para gastar. "Assim, evita de gastar mais do que pode nesse período", afirma.

Além disso, é fundamental lembrar que no início do ano surgem as contas extras, como impostos e material escolar. Por isso, é preciso fazer todo o levantamento dos gastos que serão feitos neste período primeiro para depois partir paras as compras. Esse cuidado pode evitar que o consumidor fique no "vermelho" pelo resto do ano.

Leonildo Tchapas ainda orienta que nas compras parceladas também é importante controlar no papel os gastos dos próximos meses. "O consumidor deve fazer um planejamento para os próximos seis meses, colocando em uma planilha o valor que tem para receber todos os meses, os gastos previstos e o valor que sobra. Se as prestações do produto se encaixarem no orçamento pode comprá-lo tranquilamente", conclui o especialista.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Economia da América Latina está em recuperação, indica FGV

O clima econômico da América Latina melhorou em julho, indicando que a região entrou em uma fase de recuperação, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (19).

O índice de Clima Econômico, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com o instituto alemão Ifo, subiu de 3,6 pontos em abril para 4 pontos em julho. O indicador havia atingindo em janeiro deste ano o menor nível da série histórica iniciada em 1990, a 2,9 pontos.

"A América Latina entra na fase de recuperação do ciclo econômico", afirma a FGV em nota.

O componente de Situação Atual teve leve alta, passando de 2,5 pontos em abril para 2,6 pontos em julho, enquanto o de perspectivas para os próximos seis meses aumentou de 4,6 para 5,4 pontos.

No caso dos países latino-americanos, ao se analisar o clima econômico de cada um deles, o Brasil ocupou a segunda melhor posição, com 5,5 pontos em julho, e teve 4,7 pontos na média dos últimos quatro trimestres.

O país perde apenas para o Peru, cujo ICE atingiu 6 pontos em julho, com média de 5,3 pontos nos últimos quatro trimestres

"Cinco importantes países da região monitorados pela pesquisa estão no quadrante de recuperação econômica - Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru - em julho", acrescentou a FGV.

De acordo com a entidade, Brasil, Chile e México já estavam nessa situação em abril de 2009.

No quesito expectativa sobre o futuro econômico, o Peru registrou a melhor leitura do índice entre os países latinos, seguido por Brasil, onde o indicador aumentou de 5,4 pontos em abril para 6,6 pontos em julho.

A pesquisa ouviu 149 especialistas em 16 países.

Lula diz que formalização de trabalho doméstico é "questão de consciência"

Yara Aquino
Agência Brasil

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a formalização do trabalho doméstico é uma questão de consciência e não de lei. A observação foi feita na coluna “O Presidente Responde”, em resposta a uma empregada doméstica que questiona o porquê de não ter fundo de garantia e seguro desemprego, mesmo trabalhando igual a um médico ou a um dentista.

“O problema em nosso país não é de lei, é de consciência. Um amplo segmento da sociedade não respeita os dispositivos da lei. Dos 6,3 milhões de trabalhadores do setor que havia em 2007, apenas 35% tinham registro em carteira e contavam com cobertura previdenciária”, disse.

Lula explicou, em seguida, que para estimular o registro, desde 2007 é permitido ao empregador deduzir do imposto de renda a parcela patronal da contribuição previdenciária. Com o registro e o recolhimento da contribuição ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), a empregada doméstica e o empregado adquirem o direito à aposentadoria, ao auxílio doença pago pelo INSS, salário-maternidade, 13º salário, abono de férias, repouso semanal, entre outros.

Para conscientizar os empregados e empregadores da importância do registro, o Ministério da Previdência está lançando uma cartinha, informou Lula.

Na coluna semanal publicada em jornais, em que Lula responde a três perguntas feitas por leitores, um dos temas tratados é o sistema prisional brasileiro, e o presidente cita iniciativas do Governo Federal para a melhorar o sistema, como a construção de quatro presídios federais e um quinto que será iniciado em dezembro.

Lula também falou sobre o desenvolvimento de atividade produtiva no Pará, informando que a siderúrgica Vale anunciou a criação de um polo siderúrgico no estado.

A coluna “O Presidente Responde” é publicada semanalmente em mais de 130 jornais que se inscrevem para publicar o texto. As perguntas dos leitores são recebidas pelos jornais e encaminhadas à Presidência da República.

sábado, 25 de julho de 2009

Avós devem participar da educação financeira dos netos, diz especialista

SÃO PAULO - Quando eles foram criados, não existia uma educação financeira formal - nem mesmo existiam canais de comunicação tão ágeis quanto hoje -, mas isso não impediu que eles aprendessem a lidar bem com o dinheiro.

A vivência deles em um país que passou por diversos problemas econômicos no passado já é mais do que o suficiente para que saibam bastante sobre como administrar suas finanças pessoais e para que ajudem na criação das gerações futuras.

"O que os avós de hoje já passaram - crises, hiperinflação, guerras e escassez - fez com que eles aprendessem bem mais do que o que está nos livros", afirmou o especialista em educação financeira Álvaro Modernell, sobre o porquê os avós, cujo dia nacional é comemorado amanhã, têm condições de ajudar na educação financeira de seus netos.

Ajuda

De acordo com Modernell, normalmente, a imagem que se tem dos avós na educação financeira dos netos não é nada positiva. "O que se pensa é que os pais educam para os avós estragarem, porque são mais benevolentes", ressaltou.

Porém, isso acontece porque não existe diálogo. O melhor caminho para os avós ajudarem na educação financeira das crianças é "combinar regras". Um exemplo: não adianta nada os pais determinarem uma mesada mensal se os avós derem dinheiro o tempo todo para a criança. Isso não significa que não possam dar o dinheiro, mas que isso seja feito com o apoio dos pais.

Uma outra forma de educar financeiramente é não dar tudo o que a criança deseja, o que todo mundo sabe, mas poucos conseguem fazer. "A criança quer comprar algo? Então deixe que ela junte e se esforce, para depois ajudar, se ele mostrar que quer mesmo aquilo", afirmou Modernell, para quem é preciso premiar pelo "sacrifício" de poupar.

Enfim, de acordo com Modernell, os avós têm de consultar os pais antes de tomar qualquer atitude, isso se a família se preocupa com a educação financeira das crianças.

Aliado

Modernell ainda ressaltou o que o avós têm a seu favor o que os pais não possuem: tempo livre. Como muitos deles estão aposentados, podem despender mais horas de seus dias para conversar com os netos sobre dinheiro.

"Hoje em dia, nem sempre os pais sentam com os filhos para contar histórias. Os avós podem usar fábulas e ensinar. A Galinha dos Ovos de Ouro, por exemplo, pode passar a mensagem de como a ganância pode prejudicar uma pessoa e a Formiga e a Cigarra, de como é importante poupar", exemplificou o especialista em educação financeira.

Mas nada é tão eficiente quanto contar para as crianças histórias de vida, em que os personagens são os próprios membros da família. Assim, eles aprendem melhor os ensinamentos da educação financeira, porque se envolvem mais.

Crise levará consumo de energia no país fechar com retração este ano

Apesar do aumento do consumo de energia elétrica, que deverá se estender ao longo do segundo semestre do ano, o país deve fechar 2009 com retração entre 0,5% e 1% na demanda por eletricidade.

A expectativa foi manifestada em entrevista à Agência Brasil pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Ele lembrou que em 2008, apesar da crise iniciada a partir do quarto trimestre do ano, o consumo de energia fechou positivo em 3,8%

Segundo ele, neste segundo semestre do ano, isto ocorrerá, sobretudo, devido ao comportamento da demanda no primeiro semestre, que foi fraco e com grandes percentuais de queda quando comparado com os meses do primeiro semestre de 2008.

A retração só não será ainda maior em decorrência do comportamento da demanda nos setores residencial e comercial.

“Os setores comercial e residencial, que sofreram bem menos com a crise, impediram uma queda ainda maior do consumo. São setores que foram bastante impulsionados pela dinâmica dos segmentos hoteleiro, turístico e do comércio varejista, além do setor residencial - devido às ligações do Programa Luz para Todos”.

Para o presidente da EPE, porém, a retomada do crescimento da demanda por energia pelo setor industrial, que de maio para junho registrou a maior expansão do ano (2,3%) fará com que o país registrou expansão crescente do consumo de energia elétrica neste segundo semestre do ano.

“Houve uma grande queda do consumo entre outubro de 2008 e janeiro deste ano e, desde então, o consumo vem crescendo. O que significa que está havendo uma reação do setor industrial brasileiro – sobretudo aquele voltado para o mercado interno, que é o mais dinâmico. Os dados de junho, portanto, são dados que nos fazem comemorar porque indicam que, provavelmente, está começando uma reação que deve acontecer ao longo do segundo semestre do ano”.

A expectativa de Maurício Tolmasquim é de que, para 2010, o consumo de energia volte a patamares anteriores ao da crise, com crescimento bastante acelerado, porque a retomada do crescimento industrial que está ocorrendo agora neste segundo semestre deverá se estender ao longo de 2010. (Agência Brasil)

Confiança do consumidor volta ao patamar de antes da crise

Rio de Janeiro - A confiança dos consumidores brasileiros na economia aumentou no último mês 2,8%, para 111,4 pontos, apenas 0,3 abaixo dos registros de setembro de 2008, quando a crise mundial se agravou.

Segundo um relatório divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas, a confiança na economia, medida em uma escala de até 200 pontos pelo chamado Índice de Confiança do Consumidor (ICC), passou dos 108,4 aos 111,4 pontos entre junho e julho deste ano.

O ICC é calculado com base em dois indicadores, o Índice de Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativas (IE).

Segundo o relatório, o ISA subiu 2,8% para 110,9 pontos e o IE avançou pelo quinto mês consecutivo, aos 111,8 pontos, nível mais alto desde maio de 2008.

Quanto à avaliação feita este mês pelos consumidores sobre a situação econômica presente, a proporção dos que a qualificam como boa foi de 11,5% do total, enquanto 34,9% a consideram ruim.

Segundo revela o relatório, um dos aspectos que mais contribuíram para o aumento da confiança dos consumidores foram as expectativas a respeito da situação financeira das famílias para os próximos seis meses.

Assim, no último mês, a proporção de consumidores que preveem uma melhora de sua situação aumentou de 32,7% a 35,7%, enquanto os que projetam uma piora caiu de 5,4% para 4,8%.

A pesquisa, realizada nas sete principais capitais brasileiras, aponta assim que as expectativas para as economias familiares em um futuro próximo são as mais favoráveis desde maio de 2008.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Micro e pequenas empresas estão recebendo mais recursos do BNDES

Rio de Janeiro - A liberação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as micro e pequenas empresas cresceu 40% nos 12 meses até junho, em comparação a igual período anterior. Para as grandes empresas, os desembolsos aumentaram 22%. E para as médias empresas, a expansão foi de 7%.

Na análise apenas do primeiro semestre deste ano, os números divulgados anteontem pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, mostram crescimento de 22% nas liberações de recursos para as micro e pequenas companhias, contra 14% para as empresas de grande porte. Já as médias empresas apresentaram retração de 23%. “Uma queda que a gente espera reverter nos próximos meses”, afirmou.

Luciano Coutinho atribuiu boa parte do aumento de recursos para as micro e pequenas empresas ao cartão de crédito do banco para compras pela Internet, cujos desembolsos revelaram crescimento de 393% entre janeiro de 2008 e junho deste ano.

“Esse esforço tem decorrido, principalmente, do fortíssimo crescimento dos desembolsos por meio do Cartão BNDES. Está muito claro aqui que as decisões tomadas no fim do ano passado foram muito eficazes com relação à questão do Cartão BNDES”, disse.

A instituição ampliou o limite máximo de crédito do cartão de R$ 250 mil para R$ 500 mil por banco emissor. O prazo de pagamento também foi ampliado de 36 para 48 meses, com juros fixos.

Coutinho disse que a procura pelo Cartão BNDES é crescente e o banco tem vem conversando com a rede bancária credenciada para ampliar o atendimento ao setor das MPEs. Ele espera ter mais um parceiro importante em São Paulo, a Nossa Caixa, para repassar o cartão.

O superintendente da área de Operações Indiretas do BNDES, Cláudio Bernardo Moraes, disse que se a taxa de juros voltar a cair, os juros cobrados pelo BNDES no cartão, hoje de 1% ao mês, também cairão, com a taxa devendo para 0,97% este mês.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

G8 e emergentes fazem acordo para liberar comércio global até 2010

O G8 e os principais países emergentes concordaram ontem na Itália em trabalhar pela conclusão da rodada Doha até o próximo ano.

A rodada Doha trata da liberalização do comércio mundial, sem imposição de impostos para facilitar a entrada mútua de produtos entre todos os países signatários.

A informação consta de rascunho da declaração final do encontro de três dias (começou na última quarta-feira e vai até hoje). Uma cópia desse esboço foi obtida pela agência de notícias AFP.

O documento destaca que os países envolvidos "se comprometem a buscar uma conclusão ambiciosa e equilibrada para a Rodada de Doha em 2010, coerente com sua missão e a partir dos avanços já alcançados".

Os países, ainda segundo o rascunho, também concordaram em resistir ao protecionismo como solução para a crise econômica mundial.

"Cooperaremos para garantir que a economia mundial retome o crescimento, seguindo um caminho equilibrado, equitativo e sustentável em benefício de todos, especialmente os mais vulneráveis", afirma o rascunho, após as conversações entre o grupo das oito economias mais industrializadas do planeta e o G5 dos principais países emergentes -China, Brasil, Índia, México e África do Sul-, além do Egito.

"Resistiremos ao protecionismo e promoveremos mercados abertos para o comércio e os investimentos", registra o rascunho da declaração.

Investimentos do Governo Federal em 2009 são os maiores desde a criação do Plano Real

Nem a crise internacional, nem a queda na arrecadação tributária inibiram os investimentos da União no primeiro semestre deste ano. Ao contrário, os órgãos públicos federais investiram mais de R$ 11 bilhões em obras e compra de equipamentos entre janeiro e junho, valor recorde para o período desde a circulação das primeiras moedas do Plano Real, em 1994 (em valores atualizados). O montante representa um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram investidos R$ 9,8 bilhões. Da quantia desembolsada este ano, R$ 8,7 bilhões (78%) foram aplicados apenas com os chamados “restos a pagar” – dívidas de anos anteriores roladas para exercícios seguintes.

Em 2009, cerca de R$ 50,5 bilhões estão previstos no orçamento para investimentos. Até junho, a União garantiu o empenho (reserva no orçamento) de R$ 14,3 bilhões em recursos para obras ou aquisição de materiais. No entanto, se a média mensal de gastos com investimentos (R$ 1,8 bilhão) persistir até o final do ano, a União terá gasto apenas R$ 22,3 bilhões, isto é, cerca de 44% do previsto. No ano passado, dos R$ 47,9 bilhões autorizados no orçamento, apenas 55% foram desembolsados até o fim de dezembro.

Para Paulo Brasil, vice-presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, esses investimentos são fundamentais em momento de crise, embora ainda sejam tímidos em relação ao montante aplicado em países de economia semelhante à do Brasil. "É necessário uma técnica apurada da equipe econômica do governo para poder lidar com a queda da arrecadação, a necessidade de corte dos gastos públicos sem afetar as despesas com investimentos e manter a meta de crescimento. Porém, essa situação pode ser muito bem implementada por meio de uma criteriosa análise das despesas de custeio e outros ralos dos gastos públicos", analisa.

O Governo Federal estima arrecadar R$ 63 bilhões abaixo do esperado em 2009, disse na última segunda-feira o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A projeção, segundo o ministro, tem por base o desempenho observado no primeiro semestre. Paulo Bernardo afirmou ainda que o governo obteve acordo com os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentária de 2009 e 2010 para que os investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sejam excluídos das respectivas metas de superávit primário. Na prática, o governo teria mais R$ 6,5 bilhões para investir este ano.

Paulo Brasil avalia que existe uma expectativa política sobre o êxito do PAC, em função de ser o programa carro chefe da campanha do ou da candidata de continuidade desta gestão. A iniciativa pode explicar, por exemplo, o salto nos investimentos da União a partir do lançamento do PAC. Durante o primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a média anual de investimentos feitos no primeiro semestre foi de R$ 3 bilhões. No mesmo período do primeiro ano do PAC, em 2007, e nos dois anos seguintes, a média desembolsada triplicou, atingindo R$ 8,9 bilhões.

Líderes de investimentos

Não por acaso, o órgão que mais investiu nos seis primeiros meses do ano foi o Ministério dos Transportes. A pasta é responsável pela maior parte das ações do chamado “PAC Orçamentário”, obras e projetos da administração federal direta passíveis de monitoramento, e já desembolsou R$ 2,9 bilhões em investimentos. Um dos projetos mais bem contemplados com os recursos do ministério é a construção das eclusas de Tucuruí, no rio Tocantins, que recebeu cerca de R$ 227 milhões entre janeiro e junho. O empreendimento faz partes dos projetos do PAC no Estado do Pará e tem o orçamento total estimado em R$ 815 milhões para o quadriênio 2007-2010.

O segundo no ranking dos órgãos que mais aplicaram recursos em investimentos é o Ministério das Cidades, com pouco mais de R$ 1,4 bilhão. Cerca de R$ 584 milhões destes recursos foram destinados ao programa de “urbanização, regularização e integração de assentamentos precários”. Outros R$ 257 milhões beneficiaram o saneamento ambiental urbano.

Em terceiro lugar, assumindo o lugar que geralmente pertencia ao Ministério da Educação (MEC), aparece a pasta da Defesa. Até junho deste ano o órgão investiu cerca de R$ 1,4 bilhão, mais de meio bilhão a mais que no mesmo período de 2008. O maior investimento do Ministério da Defesa, quase R$ 300 milhões, foi destinado ao reaparelhamento e adequação das Forças Armadas.

Também na frente da Educação está o Ministério da Integração Nacional. Até junho, a pasta investiu R$ 1,3 bilhão, valor duas vezes maior do que o gasto no mesmo período do ano passado – R$ 692 milhões. A explicação está nos investimentos de emergência que contemplaram o programa de “resposta aos desastres”, no qual o ministério já aplicou R$ 530 milhões. Durante todo o ano passado, o investimento no programa foi de apenas R$ 186 milhões.

O MEC fica em quinto lugar, com o investimento de R$ 1,1 bilhão. Quase metade deste valor – R$ 440 milhões – foi para o programa Universidade do Século XXI, cujo objetivo é ampliar o acesso ao ensino superior. Já no programa “Qualidade na Escola”, que tem o segundo maior investimento previsto no orçamento do ministério, cerca de R$ 1,3 bilhão, somente 10% foram aplicados até junho.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Pouco mais de um terço da arrecadação é investido em serviços básicos, segundo Ipea

Brasília - O que o governo pode gastar com bens públicos e prestação de serviços – como educação, saúde, estradas e outros - “são recursos pequenos", disse anteontem o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. Segundo ele, de cada R$ 3 arrecadados o governo tem pouco mais de R$ 1 para investir. O resto é comprometido com o pagamento dos juros da dívida e transferências de programas como os da Previdência e do Bolsa Família.

Pochmann comentou o aumento da arrecadação de impostos, taxas e contribuições nos três níveis de governo (União, estados e municípios) que somaram R$ 1,034 trilhão em 2008, de acordo com os números da Receita Federal do Brasil (RFB). Houve um aumento de R$ 133 bilhões em relação à arrecadação de 2007, com a carga tributária subindo de 34,72%, no ano anterior, para 35,8% do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país no ano passado, calculadas em R$ 2,880 trilhões.

Os números são considerados grandiosos, embora o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) entenda que a carga de tributos foi ainda maior em 2008, tendo chegado a 36,56% do PIB na estimativa apresentada pelo presidente daquela instituição, Gilberto Luiz do Amaral.

Divergências à parte, o presidente do Ipea disse que “embora haja uma redução gradativa no pagamento dos juros, o Brasil é um dos países que mais compromete sua arrecadação com a dívida pública”. Pagou R$ 162,3 bilhões no ano passado, equivalentes a 5,59% do PIB, contra despesas de R$ 159,5 bilhões no ano anterior, que correspondiam a 6,14% do PIB.

Lei determina validade de um ano para bilhetes de passagens de ônibus

Christina Machado
Agência Brasil

Brasília - Os bilhetes de passagens de ônibus intermunicipal, interestadual e internacional vão valer por um ano, a partir da emissão, independentemente de estarem com data e horários marcados. Os bilhetes já agendados poderão ser remarcados. A obrigatoriedade consta da Lei 11.975, publicada no Diário Oficial da União ontem.

Antes de se configurar o embarque e caso desista de viajar, o passageiro terá direito ao reembolso do valor pago do bilhete, em até 30 dias, a partir da data do pedido.

Em caso de atraso da partida ou em uma das paradas previstas, por mais de um hora, o transportador providenciará o embarque do passageiro em outra empresa, que oferecerá serviços equivalentes.

Em caso de defeito, falha ou outro motivo que interrompa ou atrase a viagem durante o seu curso, a empresa transportadora deverá assegurar a continuidade da viagem num período máximo de três horas, após a interrupção. Na impossibilidade de se cumprir essa determinação, fica assegurada ao passageiro a devolução do valor do bilhete de passagem.

A Lei 11.975 determina ainda que, durante a interrupção ou retardamento da viagem, a alimentação e a hospedagem dos passageiros serão obrigação da transportadora. Se em qualquer das paradas previstas a viagem for interrompida por iniciativa do passageiro, nenhum reembolso será devido Os bilhetes de passagens adquiridos com antecedência mínima de sete dias da data da viagem poderão não ter horário de embarque definido.

Inflação oficial cai e fecha o mês de junho em 0,36%

Thaís Leitão
Agência Brasil


Rio de Janeiro - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo governo para fixar as metas de inflação, ficou em 0,36 % em junho. O resultado é inferior ao registrado no mês de maio, quando a taxa havia sido de 0,47%. Com o resultado de junho, o IPCA fechou o primeiro semestre deste ano com alta de 2,57%. A taxa, no entanto, é menor do que a observada no mesmo período do ano passado (3,64%).

Os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam também que nos 12 meses encerrados em junho a taxa acumulada é de 4,80%, também inferior aos 5,20% referentes aos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho do ano passado, o IPCA havia ficado em 0,74%.

De acordo com o levantamento do IBGE, a alta menos intensa do IPCA em junho foi influenciada pelos preços dos produtos não-alimentícios, cuja taxa passou de 0,48% em maio para 0,26% em junho.

De um mês para o outro houve decréscimo nas taxas dos grupos habitação (de 0,72% para 0,27%), em função da menor incidência de reajustes na taxa de água e esgoto (de 1,34% para 0,09%), aluguel residencial (de 0,78% para 0,52%) e energia elétrica (de 0,82% para -0,48%); saúde e cuidados pessoais (de 0,68% para 0,49%) com a contribuição dos remédios, que passaram de 1,33% para 0,37%; despesas pessoais, que caiu de 1,57%, em maio, para 0,49% em junho, influenciado pela queda nos preços dos cigarros (de 9,21% para - 0,28%) e empregado doméstico (de 1,35% para 0,80%); e vestuário, que, em período de liquidação, teve sua taxa reduzida de 1,16% para 0,53% no período.

No caso dos produtos alimentícios, os preços subiram 0,70% depois de elevação 0,44% em maio. As principais pressões partiram de leite pasteurizado (de 9,77% para 12,10%) e seus derivados, que também ficaram mais caros para o consumidor como queijos (1,72%), creme de leite (3,57%) e leite em pó (1,48%).

Entre as regiões, Curitiba foi a que apresentou a taxa mais elevada no mês (0,83%), influenciada principalmente pela alta nas taxas dos alimentos (1,01%), da gasolina (4,35%) e do álcool (7,47%). Por outro lado, a menor taxa foi observada em Belo Horizonte (0,06%).

O IPCA considera os gastos de famílias com rendimento mensal de um a 40 salários-mínimos e abrange as regiões metropolitanas de Porto Alegre, Belém, Curitiba, do Rio de Janeiro, de São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Salvador, além de Brasília e do município de Goiânia. Para o cálculo do índice, os preços foram coletados entre 30 de maio de 29 de junho e comparados com os preços vigentes de 29 de abril a 29 de maio.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Receita prevê queda da carga tributária neste ano

Daniel Lima
Agência Brasil

Brasília - A carga tributária deve cair em 2009, segundo análise do coordenador-geral de Estudos, Previsão e Análise da Receita Federal, Marcelo Lettieri. Ontem, a Receita Federal informou que o peso dos impostos subiu para 35,8 % do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008, atingindo novo recorde. Em 2007, a carga tributária bruta chegou a 34,72%. A elevação é de 1,08 ponto percentual. Foram arrecadados no ano passado R$ 1,034 trilhão contra R$ 901 bilhões de 2007.

“Em nível federal, em 2009 temos uma sinalização de que a carga deve diminuir em função das desonerações [medidas que cortam impostos, como é o caso recente da diminuição do Imposto sobre Produtos Industrializados nos automóveis, nas geladeiras, nos fogões e nas máquinas de lavar, assim como no material de construção] e do desaquecimento da economia. Em termos globais, isso também deverá acontecer”, disse.

Se isso acontecer, será a primeira vez desde 2003 que a carga cairá em comparação a um ano anterior. Na época, a redução de 2002 para 2003 foi de 32,9 para 31,4%.

Lettieri disse também que o foco da política econômica do Ministério da Fazenda é “trabalhar obsessivamente para manter o emprego e a renda, sem se preocupar com a queda na arrecadação”. O coordenador afirmou que, dos mais de 25 milhões de contribuintes pessoas físicas que declaram o Imposto de Renda, apenas 8 milhões pagam o tributo.

Segundo Letierri, o resultado da carga mostra uma base de incidência dos impostos de 48,44% em bens e serviços, que são bem mais caros para o cidadão. Para ele, a tributação sobre o consumo tende a ser mais pesada para a população de menor renda.

“O importante é a questão da progressividade, quando se analisa a questão do consumo sobre a renda. É que num país com grande desigualdade econômica nós temos uma base de renda pequena”.

Segundo a Receita Federal, a elevação da carga em 2008 resultou da combinação do crescimento, em termos reais de 5,1% do PIB e de 8,3% da arrecadação de impostos nos três níveis (União, estados e municípios). Foram considerados para o cálculo um PIB de R$ 2,880 trilhões de 2008 contra R$ 2,597 trilhões de 2007, e arrecadação de R$ 1,034 trilhão em 2008 contra R$ 901 bilhões de 2007.

No caso da União, a carga aumentou de 24,3% para 24,9% do PIB no ano passado em comparação ao ano anterior. Os estados foram responsáveis por uma carga de 9,2% contra 8,8% na mesma comparação e os municípios, de 1,59%% para 1,64%.

Do total das receitas em 2008, a União ficou com 69,6% de tudo que foi arrecadado, embora tenha registrado queda de 0,5 ponto percentual em comparação ao ano anterior. Os estados ficaram com 25,8%, com crescimento de 0,4 ponto percentual e os municípios permaneceram com receita praticamente estável, com 4,6%.

Números da indústria em maio ainda não mostram recuperação, informa CNI

Pedro Peduzzi
Agência Brasil

Brasília - O faturamento da indústria em maio aumentou 1,1%, na comparação com abril, sem levar em conta o movimento do Dia das Mães (dessazonalização). Na comparação com maio de 2008, porém houve queda de 7,7%. Quando a comparação é entre os períodos acumulados de 2008 e 2009, a queda é de 8,2%.

As horas trabalhadas tiveram queda de 0,5%, de abril para maio e de 8,7%, em relação a maio de 2008. O emprego caiu 0,3% em maio, comparado a abril, e 4,1% frente a maio do ano passado. Quando se considera o acumulado de 2009, houve queda de 2,4% em relação ao mesmo período de 2008.

Os números fazem parte dos Indicadores da Indústria, divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a CNI, os indicadores de maio ainda não mostram o cenário consolidado de recuperação da atividade.

Brasil reduzirá custos trabalhistas, diz Guido Mantega em entrevista ao "Financial Times"

O governo do Brasil está preparando grandes cortes nos custos trabalhistas, muito altos do país, como forma de estimular a produtividade e o crescimento, disse Guido Mantega, o ministro da Fazenda, ao "Financial Times".

"Nós temos a chance de transformar a crise econômica global em uma oportunidade", disse Mantega. "Nós queremos dar um salto qualitativo na produtividade e colocar o Brasil à frente do crescimento global. Essas medidas possibilitarão para vários setores competirem no mercado internacional."

As medidas que deverão ser anunciadas nas próximas semanas incluem a extinção dos 25,5% do salário bruto de cada funcionário que os empregadores devem recolher para vários fundos de bem-estar social.

O governo lançou uma série de iniciativas para combater os efeitos da crise econômica global desde o ano passado. Ele liberou R$ 100 bilhões do depósito compulsório - a parcela de seus depósitos que os bancos devem manter no banco central - para fornecer fundos ao setor bancário durante os primeiros estágios do arrocho de crédito. Também fez cortes temporários nos impostos sobre veículos e eletrodomésticos, o que fez com que as vendas retornassem rapidamente ao patamar pré-crise.

Muitos desses cortes de impostos, que deveriam expirar em 30 de junho, foram prorrogados na semana passada por vários meses. Alguns bens de capital receberam novas isenções.

"Nós adotamos algumas medidas de curto prazo para fornecer um impulso durante a crise", disse Mantega. "Agora estamos trabalhando nas medidas para o período pós-crise, para explorar as oportunidades oferecidas ao Brasil. Para isso, a indústria necessita de custos mais baixos."

Mantega disse que as reduções nas contribuições dos empregadores ocorreriam sem prejuízo para os benefícios dos trabalhadores. "Nós cobriremos as reduções com outras medidas", ele disse, apesar de ter se recusado a dar maiores detalhes.

Preocupações surgiram no mês passado de que o governo poderia não ter como arcar com novas medidas de estímulo. O custo das medidas anteriores, combinado com a queda da arrecadação tributária, colocou o governo no vermelho após anos de superávits orçamentários primários consistentes (receita menos gastos, sem contar o pagamento de dívidas).

Também há preocupação de que algumas medidas - como aumentos salariais para funcionários públicos, que são muito mais difíceis de reverter depois - imponham um fardo a longo prazo nas contas públicas que já precisa de reforma.

A dívida pública líquida caiu para cerca de 38% do produto interno bruto, apesar da dívida bruta ter crescido desde o estouro da crise para cerca de 61% do PIB.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Estudo mostra que proporção gasta por pobres com seguridade social é maior do que a dos ricos

Brasília - Um estudo da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, ligada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma análises sobre a injustiça tributária no Brasil. Segundo a dissertação de mestrado do economista Erito Marques de Souza Filho, os mais pobres gastam proporcionalmente mais renda do que os mais ricos para o financiamento da Seguridade Social (Saúde, Previdência Social e Assistência Social).

“Em nossos trabalhos, evidenciou-se que quanto menor a faixa de renda maior proporção dela é destinada para o financiamento da seguridade social. Um indivíduo pertencente ao primeiro décimo da distribuição de renda domiciliar per capita destina 9,4% de sua renda [de R$ 71,52], enquanto para um indivíduo pertencente ao último décimo esse valor é de 1,09% [com renda per capita de R$ 3.992,37]”, compara o economista, que também é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

A razão da distorção é que a base da contribuição é formada por taxações que são repassadas aos consumidores como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a extinta Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), cobrada até 2007 e incluída na pesquisa de Marques.

Os valores cobrados das empresas são repassados e estão embutidos nos preços finais das mercadorias, como os produtos da cesta básica de alimentos. “Constatamos que as despesas com alimentação correspondem a cerca de 37% para os indivíduos pertencentes primeiro décimo da distribuição de renda domiciliar per capita e de 33% para um indivíduo pertencente ao segundo décimo. Além disso, a contribuição indireta de um domicílio pobre corresponde a cerca de 20% do valor de uma cesta básica”, calcula Marques.

O maior peso do custeio da seguridade social sobre os mais pobres se manteve inclusive nos últimos anos, considerados de crescimento da renda desse estrato. “Esse crescimento permitiu que os pobres aumentassem não somente seu consumo, mas também sua contribuição indireta para a Seguridade”, explica o economista.

Para Marques, a distorção perpetua a desigualdade e esvazia a função distributiva que deveria ter o estado. “O cerne da questão não está na quantia paga pelos pobres ou pelos ricos, mas sim em como utilizar adequadamente a política tributária, de modo a permitir ao estado prover satisfatoriamente esses serviços ditos não mercantis a toda população. No caso brasileiro, em função do elevado grau de desigualdade, não é possível tornar equânime o acesso a esses serviços sem que haja um processo de redistribuição vertical, dos mais ricos para os mais pobres.”

Na análise do economista, a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), unificando impostos federais e também o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), conforme previsto na proposta de reforma tributária em discussão na Câmara dos Deputados, não reverte a injustiça tributária. “A criação do imposto sobre o valor agregado, além de não reverter a tendência de maior ônus sobre os mais pobres, pode inviabilizar um dos legados da Constituição de 1988: a garantia de um orçamento próprio para a Seguridade independente das oscilações do ciclo econômico”, alerta Marques.

Na opinião do economista, o sistema tributário poderá ficar mais justo e distributivo se houver a instituição de um Programa de Renda Mínima, proposto pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), e desoneração da cesta básica e alimentos em geral. “Isenções de impostos sobre alimentos, em particular, ampliariam o consumo e fomentariam o desenvolvimento econômico e social. De uma maneira mais geral, qualquer isenção sobre bens essenciais é sempre benéfica para os mais pobres.”

sábado, 4 de julho de 2009

Crescimento na América Latina será lento e desigual em 2010, afirma Banco Mundial

A América Latina sofrerá este ano um impacto forte na economia, com uma contração de entre 2,0 e 2,5%, mas o crescimento voltará em 2010, em uma recuperação lenta e desigual, segundo o Banco Mundial.

A estimativa para 2009 representa uma revisão para baixo do último relatório do organismo sobre a região, de abril, quando a previsão era de uma queda média regional de entre 0,5% e 1,5%.

A crise global, segundo o Banco Mundial, vai atingir a região em cinco aspectos: a América Latina registrará a primeira recessão em sete anos, a pobreza e o desemprego aumentarão, o financiamento externo ficará menor e vai cair o valor das remessas enviadas pelos trabalhadores imigrantes, uma fonte financiamento vital para alguns países.

Para 2010, o Banco Mundial prevê um retorno lento do crescimento, entre 1 e 2%, mas desigual entre os países da região.

A pobreza vai aumentar 1,1%, já que a crise empurrará mais de oito milhões de latino-americanos à pobreza. Em 2008, 181,3 milhões de moradores do continente eram pobres.

Segundo o Banco Mundial, a crise será especialmente dura com a classe média, em consequência da queda da demanda por exportações não tradicionais que tendem a empregar trabalhadores formais, urbanos e tecnologicamente mais avançados.

O desemprego também vai crescer na região, e o valor dos salários deve registrar queda, o que aumentará a informalidade.

Outro relatório divulgado ontem pela Cepal (Comissão Econômica para América Latina) destaca que a taxa de desemprego aumentará em mais de 1% em 2009.

Na véspera, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, destacou, no entanto, a posição vantajosa dos maiores países da América Latina para enfrentar a crise econômica.

"Tendo trabalhado com crises durante os anos 80 e 90, o que mais chama a atenção é como a América Latina lida com esta crise em uma posição diferente", disse Zoellick, após uma reunião com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, em Santiago.

"Obviamente, há uma grande diversidade entre cada país, mas alguns países, incluindo os maiores - como Brasil, México, Colômbia, Peru e Chile - lidaram com a crise de uma posição boa", estimou o presidente do Banco Mundial.

De acordo com Zoellick, os fatores que influenciam este melhor posicionamento incluem orçamentos mais fortes, maiores reservas, melhor posição comercial e um manejo flexível do tipo de câmbio.

"Além disso, passam por uma boa base no que diz respeito à proteção social", estimou. Zoellick ponderou, no entanto, que o bom panorama não significa que estes países vão escapar incólumes da crise, mas "têm mais flexibilidade como para combatê-la".

"Um dos desafios que vários países vão ter que enfrentar é a dificuldade para ter acesso ao financiamento internacional para apoiar alguns de seus programas", alertou.

Zoellick lembrou ainda que a América Latina foi a região que mais recebeu recursos do Banco Mundial no ano fiscal concluído na última quarta-feira, com mais de US$ 17 bilhões de um total de US$ 59 bilhões investidos em todo o mundo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Produção industrial tem alta em maio, mas no acumulado de 12 meses é a menor

Rio de Janeiro - A produção industrial cresceu 1,3% em maio em relação ao resultado de abril, quando a alta havia sido de 1,2%. Foi o quinto resultado positivo consecutivo neste tipo de comparação.

Em relação ao desempenho verificado no mesmo período do ano passado, no entanto, a atividade fabril teve queda de 11,3%, no sétimo resultado negativo.

De acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos 12 meses encerrados em maio, a produção industrial acumula queda de 5,1%. Esse resultado é 1,2 ponto percentual inferior ao de abril e representa a taxa mais baixa desde o início da série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, em 1991.

O levantamento aponta que, desde o início deste ano, a atividade fabril no país acumula expansão de 7,8%, mas, em relação ao acumulado nos cinco primeiros meses de 2008, houve queda de 13,9%.

Em maio, houve aumento de produção em 20 dos 27 ramos observados, especialmente nas indústrias farmacêutica (9,7%), de veículos automotores (2,0%) e metalurgia básica (3,1%). Em movimento oposto, as principais quedas foram verificadas em fumo (-8,4%), produtos de metal (-3%) e borracha e plástico (-2,7%).

Para o IBGE, os resultados de maio "reforçam os sinais de recuperação no ritmo da atividade fabril".
 
TOPO
©2009 Portal Do Sol de comunicação