ASSÚ - A primeira etapa do longo processo que tem por finalidade a beatificação de Frei Damião de Bozzano está próxima de concluir-se. O prognóstico é lançado pelo frade capuchinho Evilásio Campelo de Medeiros, um dos religiosos que estão acompanhando tal atividade na instância da Igreja Católica.
Durante quatro anos, ele foi vice-postulante da causa da beatificação de Frei Damião. O frade assuense esclareceu que o processo transcorre prolongadamente e ainda se encontra em âmbito diocesano.
"Já é possível afirmar que esta primeira etapa do caminho está praticamente finalizada", registrou o frade capuchinho. Evilásio Campelo frisou que o trabalho incluiu, entre outras providências, a coleta de todo o material gráfico até hoje editado a respeito do religioso e tudo o que foi por ele escrito e produzido. Registrou que, em vida, Frei Damião deixou diversas anotações de homilias, sermões e outros registros católicos. "Tudo isso está sendo organizado, digitado e catalogado", ilustrou.
O frade capuchinho observou que todo o processo deve seguir fielmente os critérios e recomendações da Sagrada Congregação da Causa dos Santos. "É feito um trabalho meticuloso que inclui a participação de peritos e, por isso, é uma jornada muito demorada", argumentou. Evilásio Campelo reiterou que "são muitos os caminhos e os percalços, mas estamos concluindo esta primeira fase". Após este período diocesano, o processo transfere-se para a Santa Sé, no Vaticano, onde será deflagrado o segundo passo na busca pela beatificação de Frei Damião.
Frei Evilásio Campelo disse que este segundo patamar resume-se basicamente à comprovação fidedigna de um milagre - que a ciência prefere identificar como cura extraorinária - atribuído a Frei Damião. "Em geral, esse fato se dá por intermédio de uma cura sem explicação científica, e a pessoa beneficiada por este milagre deve dar oficialmente seu testemunho de fé e anunciar a interseção daquele que é candidato a santo", descreveu. Adiantou que há mais de 10 anos manifestações de casos do gênero atribuídos a Frei Damião vêm sendo arquivados pela Igreja Católica.
Processo deve ser finalizado em 25 anos
Frei Evilásio Campelo prevê que o processo poderá ficar totalmente pronto num intervalo de tempo de 25 anos.
E ressalta que este período poderia ser bem mais longo, caso o papa João Paulo II não tivesse provocado alterações que garantiram mais agilidade a tais questões. Fez alusão ao processo de beatificação do padre José de Anchieta, fundador de São Paulo, que, passados 400 anos de sua morte, só agora marcha para se concretizar. "Um dos grandes méritos do papa João Paulo II foi ter desburocratizado este sistema, criando toda uma legislação com a mudança do Código de Direito Canônico em 1983, instituindo uma legislação própria para a Causa dos Santos, o que veio a desburocratizar muita coisa", enalteceu. "Hoje, um processo desta natureza caminha com mais facilidade do que antes".
LENTIDÃO
Frei Evilásio Campelo relembra o caso do padre Pio, que faleceu no final da década de 60, e que teve seu processo desenvolvido até 2002, quando ocorreu sua canonização. "Tomando por parâmetro esse exemplo podemos concluir que um processo atualmente leva de 25 a 30 anos para estar concluído", observou. Registrou que a fase diocesana não é necessariamente tão extensa. A maior longevidade está na etapa posterior, em Roma. "A fase romana vai depender também do acompanhamento dos peritos, porque muitos peritos estudarão o processo de Frei Damião, serão ouvidos teólogos, médicos, sobretudo com relação a possíveis milagres; então, digamos que leve mais uns 10 anos e quero crer que num tempo de até 25 anos nós poderemos ter Frei Damião beatificado ou, quem sabe, canonizado", finalizou.