sábado, 25 de julho de 2009

Mulheres preferem cirurgia temendo a dor do parto normal

Mesmo representando a natureza do ser humano, o parto normal já não faz mais parte dos planos de muitas mulheres brasileiras. Dados do Ministério da Saúde revelaram que o índice de partos normais em todo o país foi menor que o de cesarianas. Em Mossoró, apenas no mês de junho, aproximadamente 61% dos 529 partos realizados foram através de intervenção cirúrgica.

Isso acontece por que, segundo a ginecologista Íris Menezes, as mulheres têm medo de não suportar a dor de um parto natural e muitas vezes resolvem fazer a cirurgia antes mesmo de iniciarem seu trabalho de parto e tentarem dar à luz naturalmente - enquanto outras insistem para não serem operadas.

"O parto natural é muito mais saudável tanto para a mãe, quanto para o bebê. A cesariana deve ser deixada para os últimos casos, quando não há mais possibilidades do nascimento natural", explicou a médica.

Outra coisa que as mulheres não sabem é que nos partos normais a recuperação é bem mais rápida e tranquila. A médica disse que com esta opção, a mãe e o bebê não precisam passar tanto tempo no hospital, a mulher pode se locomover normalmente, sem precisar controlar seus movimentos e fica com mais disposição para amamentar e cuidar do seu filho.

Ela ainda disse que o medo da dor é originado pelo conhecimento de experiências ruins, como por exemplo, quando as pessoas só falam da dor insuportável - sem lembrar que ela é momentânea e que a recuperação é rápida. "Por isso a participação da paciente e da sua família no trabalho de parto é muito importante, para que as gestantes fiquem mais tranquilas e pensem que o nascimento normal é melhor por ser natural", aconselhou a ginecologista.

A agente de viagens, Luciana Laura teve seu primeiro filho em 2003 e há dois meses engravidou novamente. Quando iniciou seu primeiro trabalho de parto, ela desejava que fosse natural, mas não foi possível porque ela não apresentou a dilatação necessária para permitir a passagem da criança.

"Na hora, eu só dilatei 4 centímetros, e, quando não dava mais para esperar, meus médicos decidiram pela cesariana. Não senti dores durante a cirurgia, mas o pós-parto foi bastante doloroso e demorado. Não podia me movimentar direito e sentia dores para constantemente", contou.

Ela diz não ter se arrependido por esperar o máximo possível antes de fazer a cirurgia e caso seja necessário, irá fazê-la novamente nessa segunda gestação. Mas deixou bem claro que continua preferindo o parto normal, por causa da rapidez da recuperação.

Hoje, segundo a médica, são poucas as pessoas que pensam como Luciana e o número de mulheres que estão preferindo marcar a cirurgia antes mesmo de entrarem no trabalho de parto só tem aumentado, comprovando os dados do Ministério da Saúde que colocam o parto cesariano como o mais realizado nos sistemas público e privado.

No Rio Grande do Norte, no primeiro trimestre deste ano, 33,02% dos partos da rede pública, e 51,17% daqueles feitos na rede privada foram cesarianos. Enquanto que em 2008, os índices eram 31,65% e 46,89% - respectivamente.

Em Mossoró, a enfermeira da Maternidade Almeida Castro, Conceição Veras, disse que já é natural se ter um número de cesarianas maior que o de partos normais. "Como esta é uma maternidade de referência e atende pessoas de toda a região, quando elas são encaminhadas para cá, são casos de cesariana, já que os partos naturais são feitas nos hospitais de cada cidade", disse.

Durante o mês de junho, foram realizados 529 partos na maternidade - sendo 332 cesarianas e 197 normais. Mas a enfermeira ainda falou que as mulheres atendidas pelos profissionais da maternidade são aconselhadas a tentar o parto normal até o último instante e, para isso, o projeto Parto Feliz foi implantado no hospital.

É através dele que gestantes são acompanhadas por profissionais de diversas áreas, como ginecologistas, psicólogos, obstetras e educadores físicos, para conhecerem a importância deste tipo de nascimento e serem incentivadas a optar por ele.
 
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