Os agentes de saúde da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Santo Antônio estão passando por uma situação delicada. Há mais de dois meses, os servidores estão sem receber seus salários e não podem fazer nenhuma manifestação para lutar pelos seus direitos.
Conforme uma funcionária que pediu para não ser identificada, o problema afeta todos os empregados que atuam em uma empresa terceirizada pela Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) e que presta serviço à UPA. "No fim deste mês, completarão três meses sem receber e sem nenhuma previsão de quando será pago os salários", informa.
Na semana passada, após tentar todas alternativas de negociação, os funcionários decidiram desencadear uma greve, para pressionar a empresa a pagar os salários. Mas o movimento foi coibido pela direção da empresa sob a ameaça de demissão.
"No fim da semana passada, vários funcionários deixaram de dar o expediente em protesto ao atraso dos salários. Porém, a empresa disse que os trabalhadores que não voltassem imediatamente para o trabalho estariam demitidos e outras pessoas seriam contratadas no lugar. Muitos ficaram com medo e continuam trabalhando", afirma a funcionária.
Ela ressalta que os colegas de trabalho não sabem mais o que fazer. "Muitos estão vindo sem a farda, como forma de protesto. Mas é só isso que podemos fazer. A nossa situação está muito difícil. Precisamos receber salários, já que temos contas a pagar", ressalta a trabalhadora.
A reportagem do jornal O Mossoroense tentou entrar em contato com a direção do UPA e com a gerente municipal da Saúde, Jacqueline Amaral, para saber quais as medidas que estão sendo tomadas para resolver a situação. Mas não obteve sucesso.
SINDISERPUM
Assim como os trabalhadores da empresa terceirizada, o Sindicato dos Servidores do Município (Sindiserpum) também está planejando uma greve geral com todos os servidores municipais da saúde, inclusive para os trabalhadores das duas UPAs.
De acordo com a vice-presidenta do Sindiserpum, Marilda Maria, a movimentação é devido ao impasse com relação ao Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). "O PCCS apresenta várias irregularidades e pedimos que a PMM resolva as pendências até o fim do mês", frisa Marilda.
Ela ressalta que este é o prazo final estabelecido pela categoria. Caso a Prefeitura não regularize a situação dentro da data prevista, a categoria marcou uma assembleia geral para o dia 10 de agosto, na qual será discutida a situação e pode ser votado um indicativo de greve.