AMANDA MELO
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Após as várias elevações do nível do rio Mossoró, durante os quatro meses de chuvas no início deste ano, a aparência do rio se tornou ainda mais frágil. Além do lixo e das águas turvas, grande bancos de areia em vários pontos do rio denunciam o seu assoreamento. Apesar da grandeza, o rio Mossoró, a segunda maior bacia hidrográfica do Rio Grande do Norte, perde a cada dia um pouco de oxigênio, roubado pela poluição e pelo assoreamento das suas margens.
O professor Ramiro Camacho, um dos coordenadores do Projeto Rio Apodi/Mossoró, explicou que a retirada da mata ciliar é o principal motivo do atual estado do rio. "A erosão das margens também provoca esse processo. Além disso, as passagens molhadas e os caminhos que são construídos para atravessar o rio deixam restos de construção e outros materiais que se acumulam no leito do rio", esclarece o professor.
Segundo Ramiro, não há como quantificar os danos que esses processos causam ao rio, nem muito menos o tempo que ele pode levar para voltar ao seu estado normal. "É difícil até de projetar qual é o estado normal do rio. Este processo de recuperação tem que ser gradativo, começando pela recuperação da mata ciliar. Por isso, um dos principais objetivos do projeto era recuperar 650 mil metros dessa vegetação", diz ele.
Para o pesquisador, em princípio, a dragagem do leito do rio não seria um processo viável para sua recuperação. "Algumas pessoas especulam que a dragagem ajudaria a recuperar, mas este processo seria uma agressão muito grande à biodiversidade. Primeiro deve-se recuperar a mata ciliar e, depois, pode-se até fazer a dragagem", ressalta Ramiro.
Ainda conforme o professor, todos esses meios para recuperar as água do rio Mossoró são dificultados pelo lixo, restos de esgoto e outros sedimentos que continuam colaborando para seu assoreamento e aumento da poluição. "A água trás lixo, resíduos e até esgotos de outras cidades que não têm um bom serviço de coleta de resíduos sólidos. Além disso ainda existem as barragens que dificultam o seu curso normal", reforça Ramiro.
PROJETO RIO APODI/MOSSORÓ
Durante mais de dois anos do Projeto Rio Apodi/Mossoró, encerrado em maio deste ano, foram coletadas amostras das águas do rio em 24 pontos diferentes, realizando análises químicas, biológicas, quantidade de coliformes fecais, metais pesados, sedimentos presentes no fundo do rio, solo das margens e as espécies de plantas aquáticas presentes no curso. O ponto mais crítico do rio Mossoró é a área que passa por trás da favela da Esam, onde o lixo predomina em relação à mata ciliar.
Além disso, cerca de 30 mil mudas de 25 espécies nativas, como turco, sabiá, catingueira, oiticica, juazeiro, que possuem raízes grandes e são plantas rústicas, foram plantadas ao longo das margens do rio, o que representou um replantio de cerca de 25 hectares de mata ciliar.