Amigos, parentes e familiares do mossoroense Soluwellington Vieira de Sá, 40, que estava entre os 228 passageiros do voo 447 do Airbus 330, da Air France, celebraram uma missa em sufrágio da sua alma. A cerimônia foi realizada na tarde de ontem, na igreja do Sagrado Coração de Jesus.Emoção é a palavra que melhor resume o período de mais de uma hora da celebração religiosa. Com camisetas padronizadas e mensagens de carinho familiares relembraram no ato religioso esses 30 dias sem a presença de Soluwellington Vieira de Sá. O choro foi inevitável, inclusive para amigos e populares que prestavam solidariedade à família.
Coincidentemente, momentos antes da missa de 30º dia, a família do mossoroense vítima do acidente aéreo foi informada que o seu corpo foi identificado pela Polícia Federal (PF) entre os 51 corpos até então resgatados do acidente.
O irmão da vítima, Sólon Henrique Filho (conhecido como Júnior), relata que na tarde de ontem, a PF ligou para a mulher de Soluwellington Vieira de Sá informando que o corpo do mossoroense foi identificado e já está no Instituto Médico Legal (IML) de Recife (PE). A identificação foi feita por meio de um exame de DNA, cujo material genético foi retirado da saliva dos pais dele.
Júnior informa que ainda hoje a PF irá à casa da família da vítima, em Juremal,comunidade distante nove quilômetros de Baraúna (RN), para orientar sobre o procedimento que deverá ser adotado para trazer o corpo de Soluwellington Vieira de Sá. "Acredito que eu mesmo vou buscar o corpo do meu irmão", complementa.
A família já decidiu que o sepultamento do corpo será feito em Mossoró, mas ainda não tem uma data definida. "Não sei quanto tempo vai demorar para o corpo ser liberado. No entanto, assim que resolvermos a situação, faremos o sepultamento na cidade em que ele nasceu", diz Júnior.
A notícia de identificação do corpo de Soluwellington Vieira de Sá trouxe sensações divergentes para seus familiares. "É muito triste ter a confirmação da morte do meu irmão. Mas, pelo menos esse é o fim de uma angústia. Minha mãe esperava todos os dias por notícias e elas não chegavam. Sinceramente, não tínhamos mais esperança do corpo ser encontrado", confessa Júnior.
Suzi de Sá, sobrinha da vítima, relata que a identificação do corpo foi um grande choque para a família. "Sabíamos que era impossível encontrar alguém com vida depois de tanto tempo. Mas, com o corpo identificado é a certeza de que nunca mais o veremos", diz emocionada.
No dia do acidente, Soluwellington Vieira de Sá viajava à França, rumo ao Cairo, no Egito, onde era comandante de navegação e pesquisa de petróleo da Grant Geophisycal há seis anos. A família soube do desaparecimento do avião, acompanhando o noticiário na TV. Ainda no mesmo dia, a empresa à qual a vítima mossoroense prestava serviços entrou em contato com a família para confirmar a presença do potiguar no voo.
Soluwellington Vieira de Sá era natural de Mossoró, porém residia em Baraúna (RN) há cinco anos. Ele era casado e tinha duas filhas, sendo uma de quatro anos e outra de nove.