"Ou se instala essa CPI com seriedade ou não se instala". A afirmação é do senador Paulo Duque (PMDB-RJ), ao anunciar ontem que instalará na próxima quarta-feira, sem falta, a CPI criada para investigar suspeitas de que a Petrobras teria cometido fraudes em licitações, desvio de royalties de petróleo, irregularidades na construção de plataformas e refinarias e artifícios contábeis para reduzir o pagamento de tributos.
Dizendo que queria apenas "prestar uma homenagem à sala da CPI", Paulo Duque foi ontem, às 10h, ao recinto em que funcionará a comissão e ali esperou 15 minutos pelos senadores nomeados para integrá-la. Aos 81 anos, como mais antigo integrante do colegiado, caberá a ele conduzir a primeira reunião, quando irá se eleger o presidente da CPI. Ao deixar a sala, Paulo Duque disse que na próxima semana repetirá o rito.
- Venho do Rio de Janeiro na próxima terça-feira à noite. Às 10h da manhã de quarta, estarei aqui para instalar a CPI. Espero novamente 15 minutos, se ninguém aparecer, volto para o Rio à noite. É preciso que seis senadores estejam presentes à reunião, não bastam as assinaturas. Ou se faz isso com seriedade ou não se faz.
Ao dar essas informações, Paulo Duque foi indagado por jornalistas sobre o impasse que adia a instalação dessa CPI, face à resistência do líder doPMDB, Renan Calheiros, ao nome desejado pelo governo para ser relator. Resposta de Paulo Duque:
- O veto do Renan Calheiros ao Romero Jucá é um papo meio furado. Nenhum dos dois me falou nisso.
Paulo Duque também afirmou que, ao contrário do que muitos pensam, há tempo para a CPI da Petrobrás começar suas investigações ainda em junho. Ele observou que, desde que não haja impedimento regimental, a comissão poderá trabalhar em julho.
- Desde que o regimento permita, a CPI prosseguirá com os seus trabalhos em pleno recesso. - assegurou ele.