AMANDA MELO
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Uma das maiores preocupações de ambientalistas e de grande parte da população mundial, que já se conscientizou das responsabilidades ambientais, é como reduzir o consumo de água. Sabe-se, também, que proteger o meio ambiente é um hábito que deve começar dentro de casa. Elis Regina, professora do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), aponta a água como um dos recursos mais importantes e no qual devemos estar atentos.
"A água é uma das preocupações em nível mundial por ser um recurso renovável, mas que já demonstra que pode não ser infinito. A água, de maneira geral, não está sendo utilizada adequadamente, ressaltando que a água potável está cada vez mais rara", explica a pesquisadora.
Elis Regina ressalta ainda que três quartos da superfície da Terra são recobertos por água. Trata-se de quase 1,5 bilhão de km³ de água em todo o planeta, contando oceanos, rios, lagos, lençóis subterrâneos e geleiras. Parece inacreditável afirmar que o mundo está prestes a enfrentar uma crise de abastecimento. Mas é exatamente isso o que está para acontecer, pois apenas uma pequena parte de toda a água da Terra serve para abastecer a população.
"O Brasil, apesar de possuir a maior reserva de água doce do mundo, é um grande desperdiçador de água potável. Parte da água tratada que sai das redes distribuidoras não chega ao consumidor final por motivo de vazamento ou redes clandestinas. A água sai através de tubulações e canos mal conservados que se rompem ou é desviada", destaca a estudiosa.
Ao contrário do que se pode pensar, no meio rural e nas cidades mais afastadas dos grandes centros há um desperdício ainda maior de água. "O setor rural também apresenta uma performance merecedora de atenção: é o maior usuário do Brasil, correspondendo a cerca de 70% do consumo total de água e, lamentavelmente, é onde ocorre a maior taxa de desperdício por conta de métodos de irrigação não racionalizados. O setor também contribui para o aumento da poluição, despejando nas águas os restos de pesticidas agrícolas", afirma a professora.
A pesquisadora aponta alguns dos principais fatores que contribuem para esse quadro atual. "O desenvolvimento desordenado das cidades, aliado à ocupação de áreas de mananciais e ao crescimento populacional, provoca o esgotamento das reservas naturais de água e obriga as populações a buscar fontes de captação cada vez mais distantes", diz ela.
A estudiosa acrescenta que "a escassez é resultado do consumo cada vez maior, do mau uso dos recursos naturais, do desmatamento, da poluição, do desperdício, da falta de políticas públicas que estimulem o uso sustentável, a participação da sociedade e a educação ambiental", frisa.
Além disso, para a professora, o desconhecimento e a falta de orientação e de informação aos cidadãos são os principais fatores que levam ao desperdício que ocorre, na maioria das vezes, nos usos domésticos, ou seja, na nossa própria casa.
"Essas perdas também se devem à falta de investimentos em programas de reutilização da água para fins industriais e comerciais, pois a água tratada, depois de utilizada, é devolvida aos rios sem tratamento, em forma de efluentes, esgotos e, portanto, poluída", explica Elis Regina.
DICAS
Como cidadãos e consumidores devemos:
Informar às distribuidoras sobre vazamentos de água.
Exigir do governo um órgão regulador forte e presente para fiscalizar a eficiência das distribuidoras.
Novos edifícios com hidrômetros individuais por apartamento estimulam a economia de água, e a conta é mais justa, pois cada família só paga o quanto consome.
Adote a ideia do reúso da água sempre que possível.
Verificação e eliminação de vazamentos e ligações clandestinas.
A grande quantidade de água utilizada no setor agrícola pode ser sensivelmente reduzida com a implantação de processos de irrigação bem planejados.
Exigir de prefeituras e governantes:
Políticas públicas que impeçam a ocupação de áreas de preservação de mananciais.
Combater a destruição das matas ciliares que protegem os cursos d’água e exigir o replantio onde foram extintas.
Implantação da política dos 5Rs (repensar, reduzir, reutilizar, reciclar e recusar).
Investimentos em distribuição de água tratada e tratamento de esgoto. Além de poupar vidas, irão diminuir os gastos com saúde no país.
Não jogue lixo nos lagos, córregos, rios e mar e sem adotar um manejo adequado dos resíduos como: sistemas de coleta seletiva e reciclagem, aterros sanitários, estações de recebimento de resíduos tóxicos, como restos de tinta e solventes.
Nós, enquanto consumidores, podemos exigir que:
As indústrias se responsabilizem pelo manejo de seus resíduos tóxicos. Cobrar isso dos órgãos de controle ambiental.
Pressionar as empresas para que produzam produtos de limpeza e embalagens que causem menores impactos ambientais.
Nas indústrias introduzir técnicas de reúso da água, tratamento de efluentes e reduzir o desperdício nos processos industriais.
Na agricultura, armazenar mais água da chuva e reduzir o desperdício ao irrigar as plantações. Utilizar métodos e equipamentos de irrigação poupadores de água. Reduzir o uso de fertilizantes e agrotóxicos.
Implantar medidas de controle de erosão do solo.
No campo ou na cidade evitar a obstrução dos rios.
Fazer o descarte adequado de embalagens de agrotóxicos.
Prefira produtos orgânicos para estimular o cultivo de alimentos livres de agrotóxicos, que poluem os recursos hídricos e podem prejudicar a sua saúde.