Uma pesquisa realizada em 17 países sobre o efeito das imagens nos maços de cigarro revela que o Brasil é o segundo com maior número de fumantes que querem largar o vício. A pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostra que 39,1% dos fumantes admitiram que deixaram de pegar pelo menos um cigarro nos últimos 30 dias ao ver as imagens no maço e 61,6% disseram que as advertências os fizeram pensar sobre os riscos à saúde. Do total de entrevistados, 91,8% dos fumantes dizem que se pudessem voltar atrás não teriam começado a fumar.
Os números impressionam até os especialistas. O pneumologista Luis Henrique acredita que os fumantes estão se tornando cada vez mais conscientes. "A intenção é que o fumante se identifique com as fotos. Que ele perceba que aquela imagem pode ser a dele no futuro".
Seguindo a linha da pesquisa, Rawlison de Almeida, 35, fumante desde os 15 anos, confessa que ao olhar as imagens sempre pensa duas vezes se vai fumar, embora acabe não resistindo ao vício. "Mesmo sabendo de todo mal que o cigarro faz não consigo deixar de fumar, já tentei parar inúmeras vezes e não consegui. Quando olho para as fotos faço esforço para não pensar no mal que o cigarro faz à saúde".
Mas as imagens não sensibilizam a todos. O comerciante Valdir Carneiro conta que apesar das fotografias comoverem as pessoas elas não deixam o vício. "A maioria das pessoas olha para as imagens e se achar muito 'forte' pede para trocar por outra. Os homens geralmente trocam as que mostram impotência sexual e as mulheres as de crianças e idosos doentes. Eles trocam como se outra imagem fosse mudar a consequência do uso do cigarro", confessa o vendedor.
Cerca de 90% dos dependentes começaram a fumar antes dos 20 anos de idade
Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Tabagismo e os jovens são o alvo principal das campanhas contra o tabagismo. O motivo da preocupação é que 90% dos fumantes mundiais começam a fumar antes dos 20 anos de idade.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o tabagismo é o ato de se consumir cigarros ou outros produtos que contenham tabaco e tenham como princípio ativo a nicotina, substância cancerígena e causadora do vício. O tabaco pode ser usado de diversas maneiras de acordo com sua forma de apresentação: inalado (cigarro, charuto, cigarro de palha); aspirado (rapé); mascado (fumo-de-rolo).
Sob todas as formas ele é maléfico à saúde e causa cerca de 50 doenças diferentes, principalmente as cardiovasculares como hipertensão, infarto, angina e derrame, além de ser responsável por muitas mortes por câncer de diversos tipos e de diminuir as defesas do organismo aumentando a incidência de doenças como a gripe e a tuberculose.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo deve ser considerado uma pandemia ou epidemia generalizada, que por sua vez deve ser combatida. O tabaco é o principal fator de risco evitável para as doenças cardiovasculares. O fumo aumenta em até 300% o risco de um ataque cardíaco, além de provocar inúmeras outras doenças.
No Brasil, 200 mil pessoas morrem todos os anos por causa do cigarro e, segundo estudos internacionais, o tabaco mata um em cada dois usuários. O fumo não prejudica só os que têm o vício, o fumante passivo, ou seja, aquele que não fuma, mas está próximo de um fumante, têm contato direto com 30 substâncias cancerígenas, presentes na fumaça do cigarro. O fumo passivo é responsável por 40% dos infartos, matando 6 pessoas por dia, no Brasil, causa ainda 30% de cânceres de pulmão, entre outras doenças.
EVENTO
A partir de amanhã, o Hospital Rafael Fernandes (HRF) promoverá uma série de palestras e debates para alertar sobre os riscos provocados pelo consumo de tabaco. O tema do evento será: Mostre a verdade. Advertências sanitárias salvam vidas. No dia dois, terça-feira, será realizada a abertura do evento com a diretora do hospital, Lúcia Bessa que fará a leitura da portaria que proíbe o fumo dentro do HRF.
Após a abertura, o enfermeiro especialista em saúde pública Manoel Lucas irá proferir palestra sobre Tabagismo, direcionada aos servidores do Hospital. No dia três, os funcionários e pacientes do HRF farão uma roda de debates sobre Tabagismo e qualidade de vida, comandada pelos funcionários e estagiários do setor de serviço social.
Em seguida um terapeuta ocupacional irá estimular a realização de atividades expressivas sobre o tema. Segundo a diretora do HRF, a realização de eventos como este é importante, principalmente no caso do hospital. "No nosso caso, por exemplo em relação aos paciente com tuberculose, eles fumam e a doença foi causada por causa do fumo.Por isso devemos destacar a importância da qualidade de vida e lembrando sempre que o cigarro mata pouco a pouco", frisou Lúcia.