sábado, 6 de junho de 2009

Apenas metade do lixo produzido é recolhido

AMANDA MELO
amandamelo18@hotmail.com

A poluição urbana é um dos grandes problemas ambientais da atualidade. A quantidade de lixo produzida pela população é incalculável e pode acarretar prejuízos ambientais incomensuráveis e que demoram uma eternidade para serem recuperados. A bióloga Maria Esmeralda revela que a destruição do meio ambiente é uma das grandes preocupações mundiais.

"Nas grandes cidades um dos maiores problemas é o lixo produzido pelas indústrias, que geralmente não são armazenados e recolhidos do modo correto. Além disso, em bairros mais pobres onde as condições são precárias não há saneamento e a coleta de lixo é precária. Ainda somado a estes fatores existe a falta de educação ambiental da sociedade", explica a pesquisadora.

O mestre em meio ambiente Ivanaldo Xavier reforça que estes problemas são decorrentes de um sistema social errado. "Nós vivemos em um sistema completamente errado, onde somos incentivados a consumir cada vez mais através da publicidade. Nós compramos o que está na moda e o que temos fica defasado e vira lixo. Essa motivação ao consumismo amplia a possibilidade de aumento do lixo no planeta", explica Ivanaldo.

No Brasil apenas metade do lixo produzido é coletado e desta parte, apenas um pouquinho vai para locais adequados - aterros sanitários, incineradores e usinas de reciclagem. A outra parte é jogada nos rios, levada para lixões clandestinos. Esses maus hábitos provocam a poluição do ar, solo e água, atrai animais como ratos, baratas, mosquitos e outros insetos para as residências e com eles aparecem as doenças.

Quando jogado nas ruas, o lixo entope bueiros pluviais provocando enchentes. Para Ivanaldo evitar a produção de lixo é uma das formas de prevenir esses desastres ambientais. "Não devemos comprar o que não precisamos, mas se mesmo assim o fazemos, então devemos procurar uma utilidade para o que não queremos e não simplesmente jogar no lixo. E se vamos jogar, pelo menos vamos tentar fazer com que esse material seja reciclado", sugere o estudioso em meio ambiente.

Para a bióloga, mudar esse quadro depende de um conjunto de ações entre sociedade e poder público. "Por um lado a sociedade precisa se mobilizar e cobrar das autoridades, empresário, medidas para solucionar problemas, mas também cabe a nós fazermos nossa parte. Tudo deve começar dentro de casa com gestos simples que podem fazer a diferença", garante Maria Esmeralda.

Ivanaldo corrobora a afirmação da bióloga e acrescenta quais atitudes podem ajudar a melhorar este quadro. "Quando não reciclamos o lixo ou não damos outra finalidade estamos diminuindo, por exemplo a vida útil do aterro sanitário que está preparado para receber apenas 20% do lixo produzido, composto pro materiais orgânicos e outras substâncias que não são reciclados", explica.

Além disso, ele reforça os riscos que o lixo pode acarretar para o meio ambiente e para a vida em sociedade. "Esse material que é jogado sem controle, polui o solo, leva um grande tempo para ser incorporado ao meio ambiente, o plástico por exemplo demora 100 anos para se decompor e outros materiais demoram muito mais", frisa ele. Para o mestre em meio ambiente, pequenas ações da sociedade são muito importantes e a longo prazo podem provocar mudanças significativas no destino do planeta.
 
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